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Jukebox Sentimental: livro mostra intimidade de Renato Russo

Segunda-Feira, 09/10/2017, 06:35:04 - Atualizado em 09/10/2017, 06:35:04 Ver comentário(s) A- A+

Jukebox Sentimental: livro mostra intimidade de Renato Russo (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

No livro “Alta Fidelidade”, do britânico Nick Hornby, o personagem Rob vive de fazer listas das cinco coisas de tudo que lhe vem à cabeça. Geralmente são assuntos ligados ao universo da cultura pop, como o top five das melhores bandas, melhores canções.

Romântico incorrigível e ávido consumidor de todo tipo de arte, Renato Russo, um dos maiores ídolos da nossa música, sofria desta mania. Sorte dos fãs. É o que mostra, “O Livro das Listas – Referências Musicais, Culturais e Sentimentais” (Cia. das Letras), o mais recente lançamento do espólio do artista.

Com formato de um caderno — alusão aos mais de 70 exemplares do tipo que o artista colecionou ao longo de três décadas de uma vida intensa e agitada, preenchendo uma infinidade de listas, grande parte em inglês –, a obra traz à tona, pela primeira vez, a intimidade intelectual do ídolo.

Os discos que mais amava, as bandas mais adoradas, as canções prediletas, está tudo lá. Também os filmes que fizeram sua cabeça, as atuações inesquecíveis, os livros e escritores que marcaram. As relações sentimentais e estado de espírito do cantor se fazem presentes em listagem curiosas como: “As dez pessoas famosas que convidaria para jantar”, “Pessoa que admiro (da minha geração)” e até uma listagem das “qualidades que mais aprecia”.

“Suas listas são especialmente interessantes porque mostram seu modo de trabalho e porque muitas vezes se convertiam em material de criação”, escrevem os organizadores do livro, os poetas Sofia Mariutti e Tarso de Melo. “São iluminadoras, ainda, porque mostram os temas de interesse mais amplos que podem ter influenciado o autor de tantas belas canções”, observam.

Reprodução“Herança e transformação”
E é verdade. Quer ver? Na sua lista de melhores canções de todos os tempos figura a proustiana “In My Life”, faixa dos Beatles gravada para o álbum “Rubber Soul” (1966). É só conferir, pois há ecos da nostalgia que permeia essa música na balada sentimental “Giz”, que Renato escreveu para o disco “O Descobrimento do Brasil” (1992). Diga-se de passagem, era a música que fez da qual mais gostava.

Grande ídolo do folk rock, Gram Parsons — considerado o pai da “Comic American Music” –, é outro nome constante nas listas de Renato Russo, um fã de carteirinha dos Byrds e The Flying Burritos Brothers, duas bandas das quais o artista americano fez parte entre o final dos anos 1960 e meados da década de 1970.

Entre os escritores listados por Renato Russo, estão os irlandeses Oscar Wilde e Bernard Shaw, o português Fernando Pessoa e o alemão Thomas Mann, cujo livro, “A Montanha Mágica”, emprestou o título a uma das canções da Legião Urbana. Mas a obra de Mann que mais marcaria o líder da Legião Urbana seria “Morte em Veneza”, que ganhou uma adaptação para o cinema pelas mãos do cineasta Luchino Visconti. “O amor homoafetivo e platônico, assim como a criação artística, são temas que podem ter atraído especialmente a atenção de Renato para esse clássico do século 20”, escrevem os organizadores do livro.

Certa vez, o poeta Ferreira Gullar, citando a influência da arquitetura de Le Corbusier na obra de Oscar Niemeyer, comentou: “Na vida, assim como na arte, tudo é herança e transformação”. Uma máxima que, com certeza, o Renato Russo seguiu à risca.

Fonte: Metropoles





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