Entretenimento / Fama

ASSÉDIO

Caso de Roger Abdelmassih vira série de ficção da Globo

Segunda-Feira, 17/09/2018, 22:16:37 - Atualizado em 17/09/2018, 22:16:37 Ver comentário(s)

EDIÇÃO ELETRÔNICA

Caso de Roger Abdelmassih vira série de ficção da Globo (Foto: Divulgação)
Parte do elenco da série protagonizada por Antônio Calloni (Foto: Divulgação)

A história da nova minissérie da Globoplay pode soar familiar. Na trama, o renomado médico Roger Sadala, especialista em reprodução humana e conhecido como dr. Vida, abusa das pacientes.

Se o nome de Roger Abdelmassih lhe veio à cabeça, não estranhe. "Assédio", com direção de Amora Mautner, é baseada no ex-médico, condenado a 278 anos de prisão, em 2010, pelo estupro de 39 mulheres. Com a série, o canal tenta aproveitar a audiência que denúncias de abusos e temas atrelados ao feminismo têm trazido nos últimos anos.

A trama televisiva é ficcional, ou seja, os nomes de vítimas, suas histórias, características e detalhes foram preservados.

Com dez episódios, a minissérie, que estreia nesta sexta-feira (21), foi construída como se fosse um documentário -ainda não há previsão de estreia na TV aberta. Vítimas como Stela, personagem de Adriana Esteves, relatam seus sofrimentos, enquanto os casos são rememorados como flashes.

No primeiro episódio, Sadala, interpretado por Antonio Calloni, surge com sua tradicional família. O temperamento do médico é apresentado como o de um sujeito instável.

Durante um jantar, por exemplo, ele perde a paciência e quebra objetos porque suas filhas não gostam da sua receita apimentada. "Eu batalho muito por essa família", diz ele acabando com o clima do encontro.

Logo no início, a cena de estupro de uma das pacientes já revela a outra face do médico. Nela, Stela aparece semiacordada quando é assediada por Sadala, após o procedimento de inseminação artificial.

Vana Lopes, que foi paciente e vítima do médico na vida real, teme que, ao ficcionar suas memórias, o assunto seja apresentado de forma romanceada. "Algumas mulheres estão muito incomodadas porque não fomos consultadas", diz ela que coordena o grupo Vítimas de Abdelmassih.

Mas também pondera e diz que "todo espaço que retrata a violência é bom, porque isso dá coragem a outras vítimas de relatarem o que sofrem". Desde o ano passado, o ex-médico, 74, cumpre regime de prisão domiciliar.

Hoje, o grupo comandado por Lopes ajuda mulheres em estado de vulnerabilidade e que sofreram algum tipo de abuso sexual.

Para a autora da minissérie "Assédio", Maria Camargo, a história em si não foi o que mais lhe interessou.

"Todos conhecem esse caso, mas a união desse grupo de vítimas foi o que me chamou atenção."

Assim, foi a partir da história de união e coragem dessas mulheres que ela começou a escrever a proposta da série.

O encontro de mulheres contra casos como esse passou a ser ainda mais comentado desde o surgimento do movimento MeToo, que teve início no ano passado, após atrizes de Hollywood se unirem para denunciar abusos do produtor americano Harvey Weinstein.

Camargo diz que, logo depois que apresentou a proposta da série, em 2017, teve início o MeToo. "Os dois acontecimentos casam muito bem, pois eles tratam do mesmo assunto que é a quebra de silêncio."

(Folhapress)





Comentários

Destaques no DOL