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EU DA INTERNET

Convidada do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, Flavya Mutran expõe trabalhos

Quinta-Feira, 17/05/2018, 10:21:32 - Atualizado em 17/05/2018, 11:02:13 Ver comentário(s)

EDIÇÃO ELETRÔNICA

Se para alguns a fotografia enquanto linguagem miniaturizou e transformou o mundo numa versão portátil, a internet é sua plataforma de embarque e desembarque”. Assim a fotógrafa, professora e pesquisadora em artes visuais Flavya Mutran encaminha a explicação sobre como a internet se tornou o ponto de partida de seus trabalhos mais recentes, que envolvem pesquisas sobre a relação entre palavra e imagem, sobre a interdependência entre texto e fotos a partir das redes. “Foi daí que comecei a olhar como as pessoas se comportam e como transformam a si mesmas em lugares, IPs localizáveis de várias partes do mundo. Mapear endereços virtuais e fotografar essas autorrepresentações, para mim, é quase o mesmo que fazer uma viagem para algum território diferente do meu, sem, no entanto, precisar que eu tire os pés de casa”, explica a artista, convidada deste ano do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. São obras dessa produção mais recente que ela mostra em “Lapso”, exposição individual que abre esta noite, dentro da programação do Prêmio, no Museu da UFPA. O espaço também recebe a mostra de videoarte “Audiovisual Sem Destino” e o lançamento do catálogo da coleção de fotografias do projeto. A programação será às 19h, com entrada franca.

Obra de Flavya Mutran presnete em "lapso", que pode ser vista no Museu da UFPA (Foto: Flavya Mutran/Divulgação)

Paraense, Flavya Mutran atualmente é professora do Departamento de Design e Expressão Gráfica na Escola de Arquitetura da UFRGS, em Porto Alegre (RS), onde vive desde 2009. Os arquivos fotográficos e compartilhamentos de imagens via web são tema de suas pesquisas de mestrado e doutorado. E seus trabalhos visuais refletem sobre a perda das fronteiras entre o espaço público e o privado a partir da popularização dos dispositivos móveis de acesso à internet que tornaram todo o mundo hiperconectado, assim como sobre questões da representação a partir desse cenário. 

“Se hoje o meio virtual é o guardião de nossas histórias mais secretas e da nossa imagem mais pública, que preço pagaremos pela guarda consignada da nossa memória? Quem nos assegura que no futuro teremos acesso fácil aos nossos arquivos pessoais de textos e imagens que estão online? Será que mantê-los e acessá-los ainda será gratuito? Na falta de máquinas que decodifiquem esses algoritmos, quem garante que seremos capazes de lembrar do nosso tempo e das muitas versões digitais das nossas fotos, textos, sons, entre outros?”, provoca Flavya, que amanhã, às 19h30, encontra o público para uma conversa sobre o seu trabalho e pesquisas que vem desenvolvendo.

Diálogo com a realidade pela fotografia

1 - Os premiados deste ano com residência artística, Ionaldo Rodrigues e Ricardo Ribeiro, o diretor geral do Grupo RBA, Camilo Centeno, o curador do Prêmio Diário, Mariano Klautau Filho, o diretor do MEP, Sérgio Mello, e o vencedor do Prêmio Diário Contemporâneo, Edu Marin Kessedjian.

2 3 e 4 - Visitantes durante a abertura da mostra de selecionados deste ano, no Museu do Estado: diversidade de abordagens sobre fotografia.

(Fotos: Irene Almeida)

Foi aberta, na noite de ontem, a primeira exposição do 9º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, com as obras dos artistas selecionados deste ano. O evento reuniu os três artistas premiados, Edu Marin e Ricardo Ribeiro, de São Paulo, e o paraense Ionaldo Rodrigues, além de organizadores, artistas selecionados e convidados.

Com o tema “Realidades da Imagem, Histórias da Representação”, o prêmio deste ano faz uma crítica à realidade social, estimulando o artista a pensar o papel da arte na sociedade. “A fotografia sempre tem uma relação complexa com a realidade e de certa forma representa o cotidiano ao sentir o ambiente e retratar o seu significado na vida daquelas pessoas”, explica o curador geral, Mariano Klautau Filho. Este ano, a premiação tem entre as novidades a realização da mostra no Museu do Estado do Pará.

“Esta casa reúne diversas expressões e a fotografia é um grande instrumento de diálogo. Poucas vezes vi uma mostra de tanta qualidade”, comenta o diretor do MEP, Sérgio Melo. Apoiadora do Prêmio desde a sua primeira edição, a mineradora Vale ressaltou a valorização artística do Pará oportunizada pelo projeto. “O Prêmio consagrou artistas, revelou talentos e eternizou as fotografias desses profissionais”, destaca a gerente de comunicação da empresa, Lívia Amaral.

O paulista Edu Marin, vencedor do Prêmio Diário Contemporâneo, apresenta o audiovisual “Abrigo”, uma sequência de fotos feitas em alta rotatividade no centro de São Paulo com seis histórias ficcionais. “Foi legal participar do projeto, em especial por ser no Pará, que tem uma cena forte de fotografia”, afirma Marin.

Outro paulista premiado com residência artística em Belém, Ricardo Ribeiro mostra um conjunto de fotografias que retratam a dinâmica social na Comunidade São Pedro, em Santarém. “As imagens retratam menos sofrimento e mais condição humana com sutileza”, detalha.

O paraense Ionaldo Rodrigues, premiado com residência artística de 40 dias em São Paulo para aprofundar a pesquisa fotográfica, apresentou uma instalação que recria um ambiente de arquivo fotográfico a partir de uma caixa de slides. O trabalho mostra a leitura do autor sobre essas imagens produzidas em 1982. “Mostrar esse trabalho e fazer a residência em São Paulo é extremamente significativo para dar prosseguimento à minha pesquisa utilizando outros cenários”, disse o artista.

Reconhecido por firmar o Pará na produção de arte fotográfica, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é reconhecido nacionalmente com a participação de artistas de todas as regiões do Brasil. Além de projetar a arte fotográfica em todas as suas nuances, o projeto desenvolve o papel social de difundir a cultura fotográfica entre estudantes de escolas públicas que visitam a mostra durante toda a exposição. “É um trabalho árduo que envolve paixão pela arte fotográfica e pela cultura paraense. E este ano as obras têm o diferencial de mostrar a realidade social e as transformações pelas quais o mundo e as pessoas vêm passando”, destaca o diretor geral do Grupo RBA, Camilo Centeno.

Mostra de videoarte abre hoje no Museu da UFPA

O 9º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia também trouxe para Belém a mostra “Audiovisual Sem Destino”, projeto da artista e professora Elaine Tedesco, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Dentro da mostra, que será aberta hoje, no andar superior do Museu da UFPA, ainda há a sessão “Ao Lado Dela, do Lado de Lá”, com vídeos contemporâneos de mulheres artistas. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal DIÁRIO DO PARÁ com apoio da Vale, apoio institucional do Museu da UFPA, Museu do Estado do Pará, Sistema Integrado de Museus/Secult e colaboração da Sol Informática.

Este ano, 30 artistas participam das mostras, entre selecionados e convidados pela curadoria do projeto, com trabalhos dentro do tema desta nona edição: “Realidades da Imagem, Histórias da Representação”.

VEJA

9º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

- “Lapso”, exposição da artista convidada Flavya Mutran e mostra “Audiovisual Sem Destino”

Abertura: Hoje, às 19h.

Onde: MUFPA (Av. Governador José Malcher, esquina com Generalíssimo Deodoro)

-  Mostra de Selecionados

Onde: Museu do Estado do Pará (Praça D. Pedro II, s/n. - Cidade Velha)

Quanto: Entrada franca.

Informações: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e no site 

(Debb Cabral Especial para o Você e Leidemar Oliveira/Diário do Pará)





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