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SOLTANDO A VOZ

Paraenses vão participar de campeonato nacional de karaokê

Domingo, 05/05/2019, 18:36:12 - Atualizado em 05/05/2019, 20:54:16 Ver comentário(s)

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Paraenses vão participar de campeonato nacional de karaokê (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)
(Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

É pegar o microfone e soltar a voz sem medo de ser feliz. Quem ainda se reúne pelas noites da cidade para um bom karaokê diz que a experiência continua sendo muito divertida e com mais adeptos do que se imagina. Não é à toa que haverá dois representantes paraenses na etapa nacional do Campeonato Mundial de Karaokê, promovida pela KWC Brasil. O grande campeão foi Rodolfo Siqueira e, em segundo lugar, Julyana Tavares. Eles viajam juntos para disputar a próxima etapa, em setembro, em São Paulo.

Ela conta que começou a cantar em karaokê junto com a mãe, Cristina Tavares, quando ainda era criança. As duas participaram juntas da etapa local da competição, promovida pelo shopping Pátio Belém. “A gente sempre ia em karaokê aos finais de semana”, ela conta. Na época, elas só conheciam um lugar, só agora souberam que existem outros ainda pela cidade. “Quando criança eu cantava supermal (risos). Já fiz aula de canto, e com tempo fui aprimorando”, completa.

Aos 23 anos, Julyana é cozinheira e doceira, nunca tinha participado de nenhuma competição, só cantava na escola e no karaokê, incluindo o aparelho que tem em casa. “Eu fiquei muito nervosa (na competição), como qualquer pessoa que vai passar por isso pela primeira vez, ainda mais na frente de um monte de pessoas. Quando chegar em São Paulo, eu e o Rodolfo, sei que a gente vai encontrar muita gente boa. E o que a gente tem que fazer é dar o nosso melhor e fazer o que a gente gosta, que é cantar”,.

SEM JULGAMENTOS

Os competidores fizeram um “esquenta” antes da competição, no último fim de semana, e conversaram com o Você sobre essa diversão que, eles esperam, volte logo a fazer sucesso na cidade. “O karaokê é uma grande família. A gente não encontra hostilidade. Às vezes a gente canta uma música que não casa muito bem com a nossa voz, mas o pessoal aplaude, dá uns toques, não tem competição”, destaca Bruno Margalho, 32 anos, técnico administrativo, um apaixonado pelo karaokê há 10 anos.

Bruno chegou a fazer o curso básico de canto no Conservatório Carlos Gomes para se aperfeiçoar, com o incentivo dos amigos. Até então, ele imitava cantores, como Andrea Bocelli, que foi o seu cantor preferido por muitos anos e que faz parte de seu repertório até hoje. E assim é com vários participantes, que sem formação em canto, ainda assim, buscam sempre melhorar e veem no karaokê o ambiente amistoso para isso.

Abel Ribeiro, de 29 anos, bancário, por exemplo, diz que tudo começou com a vontade de se expressar, de não ter que esconder que gosta de cantar. “E cantar no karaokê para mim é cantar sem olhares de julgamento sobre você. Eu estou cantando o que eu gosto, independente de plateia ou não”, afirma. “Eu vou ser bem sincero… Os meus amigos acham bem careta (risos). Mas, a gente vai porque gosta, quer fazer aquilo pela gente mesmo. A família apoia, disse para eu me inscrever, que daria tudo certo”, ele conta.

BENEFÍCIOS

 E se tem duas pessoas que podem atestar o benefício de ser livre para cantar são a médica Silvia Rodrigues, de 52 anos, e o marqueteiro Marcelo “Beckman” Lima, de 39 anos, ambos com quase 20 anos de karaokê. “A minha mãe me achava uma criança muito danada, então me colocou na aula de música. E voltei a cantar novamente depois dos plantões médicos, que me deixavam uma pessoa muito estressada. E eu melhorei muito! A música acalma a alma, traz muitos benefícios físicos mesmo”, palavra de médica, diz Silvia.

Já Marcelo, conta que após a perda de um irmão, percebeu que a música era o melhor caminho para lidar com as dores. “Eu sempre fui aquele cantor de chuveiro. Descobri sem querer um karaokê na cidade de Capanema e comecei a cantar aquelas internacionais que eu ouvia em rádio, nas novelas… E eu cantava de costas, com vergonha. Até que eu comecei a entender que a música me trazia um sentido, assim como percebi que, em alguns momentos, eu emocionava, fazia algumas pessoas chorarem. E eu fui estudar inglês, italiano, para ir aprimorando”, conta.

MODO DE VIDA

Em Belém, existem poucas casas de karaokê funcionamento atualmente. Então as mesmas pessoas vão a todas. “A gente vai se reconhecendo de vista e depois já está falando, sentado na mesma mesa”, diz Bruno.

Habituados a esse ambiente, também acabam procurando por ele como forma de interagir em outras cidades.

Marcelo conta que já visitou mais de 50 karaokês pelo Brasil. “Todo estado para o qual viajo, eu procuro um karaokê. Eu estive uns 20 dias atrás em Manaus, onde tem o Cantare, considerado o melhor karaokê do Brasil. Tive a oportunidade de conhecer, as pessoas me acolheram maravilhosamente bem, aplaudiram meu talento”, diz ele.

Com grupo de whatsapp e tudo, Silvia conta que eles somam cerca de 70 amigos que cantam em karaokês de Belém. “Quando a gente se reúne é uma festa, fazemos até concurso entre a gente, com prêmio. A gente vive rodando, viajamos juntos. Quase todas as cidades que eu vou, também procuro um karaokê. São Paulo foi a primeira”, ela lembra.

E dentro dessa rotina não é incomum que alguns já tenham participado de outras competições. Silvia conseguiu o primeiro lugar em um karaokê de São Luís, no Maranhão, o primeiro concurso que participou. “Foi maravilhoso, fizeram uma torcida enorme sem nem me conhecer… Foi lindo!”, conta.

Todos eles dizem que dentro ou fora de competições não é incomum ficar nervoso. “Eu sei que até o cantor profissional fica. Mas confio que vai dar tudo certo”, diz a dona de casa Fabíola Maciel, de 29 anos. 

Mas, aos que ainda estão receosos em experimentar, Marcelo garante que “o karaokê é uma oportunidade única para as pessoas, de forma amadora, se divertirem, encontrarem um meio de se desinibir, enfrentar seus medos e desafios”.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

 





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