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George R.R. Martin escreve carta emocionante para Stan Lee: 'devo tanto'

Domingo, 18/11/2018, 14:26:21 - Atualizado em 18/11/2018, 14:58:08 Ver comentário(s)

EDIÇÃO ELETRÔNICA

George R.R. Martin escreve carta emocionante para Stan Lee: 'devo tanto' (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

A morte de Stan Lee ainda causa tristeza e comoção ao redor do mundo. Em mais uma manifestação pública, foi a vez do famoso escritor George R.R Martin escrever uma carta para a lenda dos quadrinhos em seu blog pessoal.

Em seu texto, Martin considerou Stan Lee mais do que um idealizador de quadrinhos de sucesso, mas como uma figura influente e revolucionária nas mídias.

Confira a carta de George R.R Martin para Stan Lee, que faleceu na última semana:

"Devo tanto a Stan Lee. Ele foi, em certo sentido, meu primeiro editor. 'Caros Stan e Jack'. Essas foram as minhas primeiras palavras impressas. Na coluna de cartas de Quarteto Fantástico #20. Meu primeiro texto publicado, um comentário sobre a edição 17, comparando Stan a... hum... Shakespeare. Um exagero, você diria? Bem, ok. Eu tinha 13 anos...

Mas, ainda assim, se você pensar na comparação, ela tem algum mérito. Existiam peças antes de Shakespeare, mas o trabalho do Bardo revolucionou o teatro, deixando-o profundamente diferente do que fora até então. E Stan Lee fez o mesmo para os quadrinhos. Li HQs durante toda a minha infância, mas no final dos anos 1950 comecei a me afastar delas. Estava comprando cada vez menos 'livros engraçados' (como os chamávamos, na época) e mais livros de ficção científica e fantasia. Os quadrinhos da DC Comics que dominavam as prateleiras tornaram-se estereotipados e cansados, não mantinham mais meu interesse como quando eu era menor. Estava 'superando' os quadrinhos.

E então Stan Lee apareceu e me trouxe de volta. A primeira edição de Quarteto Fantástico que por acaso peguei (foi a #4, em que o quarteto encontra Namor) prendeu minha atenção de um jeito que não acontecia há anos. Pouco depois, veio o Homem-Aranha. E, então, o resto, um por um, em um período surpreendemente curto. O Hulk. Thor. Homem de Ferro. Homem-Formiga (e a incrível Vespa). Os X-Men. Os Vingadores. Wonder Man (que morreu na mesma edição que foi introduzido). Pantera Negra. Os Inumanos. Galactus e o Surfista Prateado. E os vilões... Dr. Destino, Dr. Octupus, Abutre, Homem-Areia, Mysterio, Loki... e a lista só continua. (Não falaremos do Ardiloso, isso é uma homenagem).

Esses personagens tinham personalidade. Peculiaridades, falhas, temperamentos. Os heróis não eram inteiramente bons, os vilões não eram completamente ruins. Os personagens cresciam e mudavam... Lá na DC, Superman e Lois Lane estavam presos no mesmo relacionamento há décadas, mas Peter Parker trocava de namoradas como um verdadeiro adolescente, ele se formou no Ensino Médop e foi para a faculdade, as pessoas podiam e de fato morriam.

Você tinha que estar lá para compreender o quão revolucionário foi isso. Os quadrinhos como conhecemos hoje não existiriam não fosse por Stan Lee. Eles poderiam nem sequer existir, verdade seja dita.

Não, claro, ele não fez tudo sozinho. Os artistas geniais da Marvel, especialmente Jack Kirby e Steve Ditko, nunca devem ser minimizados. Eles foram uma parte enorme da Marvel também. Mas Lee estava no centro de tudo.

[...] Você fez um bom trabalho. Enquanto as pessoas ainda lerem quadrinhos e acreditarem em heróis, seus personagens serão lembrados. Muito obrigado".

(DOL)





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