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Relação da UFPA com as artes é tema de exposição no museu da instituição

Quinta-Feira, 11/01/2018, 10:57:25 - Atualizado em 11/01/2018, 10:57:25 Ver comentário(s) A- A+

Em homenagem ao aniversário da Universidade Federal do Pará, nesta sexta-feira, 12, o Museu da UFPA fará o vernissage da exposição “60anos60”, uma referência à idade da instituição e, ainda, ao período mais focado pela mostra: o final da década de 1960. Nesta retrospectiva fica claro o papel da Universidade na divulgação e propagação da arte nacional e aponta também o desempenho atual dela nessa área. Com entrada franca, a exposição segue até 12 de abril, das 9h às 17h, de segunda a sexta, e das 10h às 14h, aos finais de semana.

Obra de Benedito Mello que integra a exposição (Foto: Reprodução)

De acordo com a diretora do MUFPA, Jussara Derenji, desde sua criação a UFPA tem significativa atuação não só na área do conhecimento, como na promoção de eventos e investimento em cultura e arte. “A exposição realça o papel da Universidade, em especial nos anos de 1968/69, na disseminação da arte moderna. Vamos falar dos salões, logo no início de seu funcionamento e mostrar como isso desemboca na ‘I Cultural’, quando já existe o curso de Arquitetura”, adianta.

Os salões de artes plásticas da Universidade do Pará foram realizados em 1963 e 1965, e a “I Cultural” em 1968, durante a ditadura militar no país, com forte censura nas artes, em especial nas regiões Sul e Sudeste. De forma contraditória, é nesse momento de fechamento político no qual a UFPA, especialmente por meio do então recém-criado Curso de Arquitetura, estabelece contato com vanguardas artísticas e consegue trazer nomes relevantes como Claudio Tozzi e Helio Oiticica para expor por aqui em praça pública.

“Naquele momento não existem outros cursos de arte em Belém, o primeiro só é criado por volta de 1976, e era o de Arquitetura que supria essa demanda até então. Os arquitetos que vêm para fundar a Escola de Arquitetura são de Porto Alegre e o curso lá é muito ligado às Belas Artes. Isso também ajuda as relações entre esse grupo que chegou e os grupos do Rio de Janeiro e especialmente de São Paulo, fazendo com que nessa ‘I Cultural’ viessem artistas como Helio Oiticica, que já tinha pouca possibilidade de criação no Sul e Sudeste, regiões mais abaladas pela repressão”, explica. “A ‘I Cultural’ se diferenciou muito dos salões anteriores porque eles eram feitos na sede social da Assembleia Paraense. Na praça, as obras ficaram expostas em pavilhões, uma saída de um meio mais elitista para alcançar a população em geral”, observa a diretora do Museu.

O tema da censura acaba virando mote da exposição no Pará. Claudio Tozzi, por exemplo, trouxe uma série de quadros onde ironizava o grande foco que a mídia colocou sobre o Bandido da Luz Vermelha. “O bandido seria assunto corriqueiro, mas teve grande projeção porque a imprensa vivia uma repressão tão intensa que não tinha assunto. E o artista fez uma sátira disso”, comenta a diretora, citando que uma instalação feita com tapumes por Osmar Pinheiro também era uma alusão velada à opressão. A composição deste cenário interliga-se, em parte, às ideias e intenções compartilhadas entre UFPA e Bienal Internacional de São Paulo que vão reverberar na criação da “I Bienal Amazônica de Artes Visuais”, realizada em 1972.

Paisagem Urbana”, de Armando Balloni (Foto: Reprodução)


Comécio de Castanha”, de Augusto Morbach (Foto: Reprodução)

Universidade acolheu diversos movimentos

Opasseio histórico da exposição “60Anos60” ocupa todos os espaços do Museu da UFPA com obras e objetos. Na Sala da Memória estarão expostos o Brasão da UFPA, telas e fotos e, na entrada, um totem de Juscelino e Sarah Kubitschek.

Será exibida, também, uma das primeiras aquisições de obras para a Universidade, o quadro “Heróis do Rio Formoso” (1938), do paraense Theodoro Braga, e que foi uma das premiações da ‘I Cultural’. “O que a gente percebe na ‘I Cultural’ é como a Universidade acolheu os novos movimentos e foi importante para eles criarem credibilidade e ter meios de se desenvolver na região”, comenta Jussara Derenji. Outras pinturas desta mesma série podem ser vistas em vários museus nacionais. 

No andar superior, o público encontrará obras de Morbach, Benedito Mello, Balloni, Paolo Ricci, Roberto de La Rocque, João Pinto, Campofiorito e esculturas de Simão Bittar. Na Sala de Literatura, serão expostas documentações, jornais, livros de Benedito Nunes, Francisco Mendes, Machado Coelho, todos disponíveis para consulta. No andar principal poderão ser conferidos o filme “Bandido da Luz Vermelha” e produções de Oiticica, além de livros e poemas de Haroldo de Campos e textos de Mário Schemberg.

Aberta no dia do aniversário de 402 anos de Belém, a exposição também reflete um pouco da história da cidade, falando da formação de uma arte regional, mas que é interligada com a arte nacional. Passeando por esse cenário, fazem parte ainda aquarelas de Bohdan, quadros de Dina Oliveira, Emanuel Nassar, Sarubbi, Ronaldo Moraes Rego, Emanuel Franco, Benedito Mello e Arnaldo Vieira.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)







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