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Ópera 'Don Giovanni' estreia no Theatro da Paz

Quarta-Feira, 13/09/2017, 09:27:41 - Atualizado em 13/09/2017, 10:11:49 Ver comentário(s) A- A+

Ópera 'Don Giovanni' estreia no Theatro da Paz (Foto: Eliza Lima)
O personagem que dá título à ópera é um conquistador que irá cometer um assassinato (Foto: Eliza Lima)

Quantas mulheres não caem na lábia de um homem conquistador? A ópera “Don Giovanni”, de Mozart, que estreia em Belém hoje, às 20h, no Theatro da Paz, mostra exatamente a confusão causada pelo personagem título na vida de três jovens que atravessam seu caminho: a nobre Donna Anna, a burguesa Donna Elvira e a singela camponesa Zerlina. No meio disso, seus maridos entram na trama para mostrar indignação e espanto ao se descobrirem traídos. Considerada uma obra trágica e cômica, trata-se de uma das obras primas do compositor austríaco, com libreto (espécie de roteiro) de Lorenzo da Ponte - ele próprio um célebre garanhão e que teve problemas a vida inteira por seu comportamento em relação às damas.

Na capital paraense, a direção cênica do espetáculo é de Mauro Wrona e a direção musical e regência do maestro mineiro Silvio Viegas. A condução artística foi pensada sem grandes truques e tal qual a ópera foi concebida, mas na montagem o diretor procurou traçar uma linha de modernidade, que vai acontecer na luz criada por Caetano Vilella, pelo cenário do cenógrafo Nicolás Boni e em detalhes do figurino criado por Fábio Namatame, profissionais que se juntaram ao diretor neste projeto. “A versatilidade com que os muros cenográficos se movem ao longo do espetáculo e figurino que mistura elementos de couro com plástico, as vezes algo amassado. Transparente, uma miscelânea que vai dar um ar de modernidade, uma nova dinâmica para um cenário que muda durante as cenas. Eu gosto de contar a história como ela é, não gosto de inventar, aí está o que se pode caracterizar como tradicional na minha visão de diretor”, diz Mauro Wrona.

A caixa mágica que é o palco do teatro ganhou a dramaticidade dos quadros do pintor e gravador espanhol Francisco Goya, que no entendimento do coreógrafo argentino Nicolás Boni, representam a fusão perfeita da ópera de Mozart. As figuras recriadas da série ‘Pinturas negras’ servem de moldura ao cenário. “As figuras pretas do cenário têm muito a ver com esse dramma giocoso. Achei que havia uma correspondência entre o visual e o tema musical, que são muito bem amalgamados, e na movimentação cênica que também se vai citar uma outra pintura de Goya, pois em Don Giovanini a carga dramática é a mais forte e interage com os atores, que movem muros, abrem e fecham portas em cenas continuadas, explorando o mapa de Sevilha”, conta.

Solistas

No palco do teatro, interpretam os personagens principais os cantores Homero Velho (barítono), como o próprio Don Giovanni; Marina Considera (soprano), como Donna Anna; Dhuly Contente (soprano) como a camponesa Zerlina; Kézia Andrade (soprano) como a amante Donna Elvira; o espanhol Silverio de La O (baixo barítono), como o criado Leporello; Aníbal Mancinni e Antônio Wilson (tenores) como Don Ottavio; Anderson Barbosa (baixo) como Commendatore, pai de donna Anna; e Idaías Souto (barítono) como Masetto.

Para Homero Velho, que canta o personagem-título e já atua há 20 anos profissionalmente, levar este homem ao palco é instigante. “Ele é um personagem não muito simpático, mas muito carismático, que já teve várias mulheres, até a hora que ele comete um assassinato - e essa pessoa que ele assassinou o pune por toda vida que de mentiras e enganos que ele teve. Tem que ter muita alegria para interpretá-lo e acho que isso é algo que consigo transportar bem. Gosto muito de cantar e o faço com muito prazer. E Don Giovanni tem esse lado do prazer, que transparece”, diz.

APRECIE

Ópera Don Giovanni, de Mozart 
Dias 13, 15, 17 e 19/09, às 20h, no Theatro da Paz. (ingressos esgotados)

Palestra sobre a ópera Don Giovanni
dia 14/09, às 18h30, no Theatro da Paz, com entrada gratuita.
Informações: 4009-8750

(Diário do Pará)





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