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Paraense Ricardo Juarez, a voz do Johnny Bravo, conversou com o público em Belém

Terça-Feira, 12/09/2017, 09:30:13 - Atualizado em 12/09/2017, 09:30:13 Ver comentário(s) A- A+

Paraense Ricardo Juarez, a voz do Johnny Bravo, conversou com o público em Belém (Foto: Wagner Santana)
(Foto: Wagner Santana)

Faz 20 anos que Ricardo Juarez, dublador paraense de 46 anos, é a voz de Johnny Bravo, um dos desenhos animados mais conhecidos entre os nascidos no final dos anos 1990. “Na minha mente, já tem uma maneira, uma forma de fazer a voz dele, que não precisa de ajuda para lembrar”, contou, durante o Animazon no Taikai, primeiro evento a trazê-lo para um bate-papo em Belém. Depois de se mudar para o Rio de Janeiro, aos 14 anos, ele conta que esperava ansioso o momento em que a cidade teria eventos voltados ao universo geek – de animes, filmes, games e séries – para poder retornar ao lar e compartilhar sua paixão.

“Eu sou gamer, gosto de jogar. Tem pessoas que estão vindo aqui [no Animazon] que eu conheci jogando”, conta Juarez, que ainda se diverte fazendo as vozes enquanto joga online. Em muitos jogos, ele não é só dublador de personagens, mas também o narrador, aquele que dá instruções ao longo do jogo ou avisa que você morreu. Por isso, cuidado, ele pode trolar você. Trabalhando principalmente com jogos nos últimos tempos, Juarez conta que também dubla personagens de séries e faz trailers de cinema, como os de “La La Land” e “Power Ranger”. Ele é aquele vozeirão que avisa que o filme estará “em breve nos melhores cinemas”.

Dublador por acaso

Com a ajuda da internet, hoje é mais fácil alguém conhecer os caminhos que levam à profissão de dublador, mas Juarez conta que com ele, há 25 anos, a entrada nesse universo foi um total acaso. Aos 17 anos, ele não sabia que profissão seguir quando fez uma visita a uma rádio e quis ser locutor. “Quando eu já era locutor, fiz um curso de teatro para melhorar minha interpretação. Eu fazia rock, MPB, triste, alegre, romântica, aventura, tudo igual”. Quando os colegas de curso começaram a falar em ser dublador, o paraense resolveu arriscar. “Tirei o registro de ator e comecei a dublar”. 

Com a passagem dos anos e muitos personagens, ele conta que hoje é mais natural criar e manter-se na voz de um personagem. Uma exceção, ele conta, foi quando precisou retomar a dublagem de Melman, a girafa de “Madagascar”. “Eu fiz o primeiro filme, passaram dois anos e eu não lembrava mais quando chegou o segundo. É diferente de um seriado que você faz semanalmente. Então tive que pegar o DVD, assistir, tentar lembrar como fiz a voz. Peguei um gravador e fiz até acertar”.

A girafa Melman, de “Madagascar”: foi preciso relembrar a voz exata entre o primeiro e o segundo filmes (Foto: Divulgação)

 O Edu de “Du, Dudu e Edu”: cuidado para não sair do tom (Foto: Divulgação)

E Johnny Bravo, que Juarez faz há 20 anos. Ele até levanta a sobrancelha quando está dublando (Foto: Divulgação)

SEM SAIR DO TOM

Dublar, diz Ricardo Juarez, “é quase uma incorporação espiritual”. Tanto que, ao ver-se em alguns vídeos fazendo Johnny Bravo, percebeu que até levantava a sobrancelha como o personagem faz. “A gente só não pode se mexer muito porque o microfone é muito sensível. Para vocês terem uma ideia, sabe quando você está com fome e a barriga ronca? Ele capta (risos)”. 

Além disso, é preciso ter concentração. “A voz do Edu (do desenho animado ‘Du, Dudu e Edu’), se eu me desconcentrar, saio do tom. O diretor de dublagem, que está lá de olhos e ouvidos ligados fala: ‘vai de novo essa daí que você saiu do tipo de voz’”, conta. 

Ele explica que cada pessoa tem uma extensão vocal que vai do mais grave ao mais agudo que ela é capaz de fazer. Dentro disso, ele realiza seu trabalho. “O Zenyatta (do game Overwatch) é bem suave, pausado. O Draven (do game ‘League of Legends’) já é um pouco mais rasgado, então já coloco um pouco mais de nasal. Eu faço também o Pinguim dos últimos dois jogos do Batman. Aí eu já deixo a voz aqui na garganta e anasalada também”. 

Juarez conta que existem várias técnicas para dublagem e que cada profissional tem a sua preferência. “E é muito bom você poder fazer personagens tão diferentes para exercitar essa coisa de criar tons de voz diferentes”, afirma.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)





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