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Encontro homenageia literatura luso-brasileira

Sexta-Feira, 07/10/2016, 09:10:57 - Atualizado em 07/10/2016, 09:19:10 Ver comentário(s) A- A+

Encontro homenageia literatura luso-brasileira (Foto: Rai Pontes/Seduc)
(Foto: Rai Pontes/Seduc)

A língua portuguesa mudou. Com o uso intenso das tecnologias digitais, essas alterações ocorrem de maneira mais veloz. Para discutir essas mudanças e o uso social da palavra, a Academia Paraense de Letras (APL) promove, de hoje até o dia 13, o 4º Encontro Literário de Lusofonia, na sede da associação, em Belém. O evento conta com a participação de uma comissão de 12 pessoas vindas da cidade portuguesa de Bragança, já que a ideia é discutir também intersecções entre a produção literária paraense e a portuguesa. A entrada é gratuita e não é necessária inscrição.

De acordo com o presidente da APL, Alcyr Meira, a literatura é uma maneira de compreender o uso contemporâneo da língua portuguesa e por isso há quatro anos ele propôs a criação do encontro. Já foram realizados um evento na capital paraense e outros dois em Portugal. Este ano, a programação inclui quatro mesas redondas de debates literários, encontro com a Prefeitura Municipal de Bragança e a palestra “A Presença e a Influência Lusitana nos 400 Anos de Belém”, com José Leôncio Ferreira de Siqueira. Ele destaca ainda a mesa redonda sobre o maestro paraense Waldemar Henrique, que além de compor peças musicais, também era escritor. “Ele foi uma figura exemplar”, diz Meira.

Momento “delicado” para a literatura

Para o presidente da Academia Paraense de Letras, Alcyr Meira, apesar de reconhecer que a mudança idiomática é parte de um processo cultural irrefreável e contínuo, é preciso estabelecer parâmetros sobre a melhor utilização da língua portuguesa. Defensor aguerrido da preservação de seu uso de forma correta, ele acredita ser necessário encontrar caminhos para que se possa estimular o emprego certo das normas gramaticais vigentes.

“O caso da literatura hoje é delicado. A maioria hoje é de baixa qualidade e no Brasil percebemos uma mudança muito forte no modo que estamos fazendo literatura. Esses encontros têm a finalidade de problematizar isso. De que forma estamos usando nosso idioma? Como podemos melhorar? Sou a favor da purificação do idioma, sem a distorção que essas mudanças trazem”, diz Alcyr Meira.

“As obras literárias nos mostram como a sintaxe é perfeita, a ortografia. Acredito que precisamos fazer esse debate, pois estamos passando por um momento terrível. Você já ouviu o palavreado da televisão e como a juventude se comunica com o telefone celular, cheio de abreviaturas? O idioma está sendo usado errado e isso se difunde. É preciso obedecer às regras”, completa.

(Dominik Giusti)

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