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Música paraense ganha o Rio de Janeiro

Sexta-Feira, 16/09/2016, 11:09:46 - Atualizado em 16/09/2016, 11:09:46 Ver comentário(s) A- A+

Música paraense ganha o Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)
O Strobo, de Léo Chermont e Arthur Kunz, é uma das atrações do festival. (Foto: Divulgação)

Onze artistas paraenses estarão em ação, hoje e amanhã, no Rio de Janeiro, durante a Mostra Funarte de Festivais de Música nas Olimpíadas. As apresentações fazem parte dos projetos aprovados pela Fundação Nacional das Artes, que contemplou seis festivais em todo o Brasil para shows durante a Olimpíada e a Paraolimpíada. Hoje, no gaúcho “Morrostock”, a banda Molho Negro será a representante local. Amanhã, no “Festival Se Rasgum nas Olimpíadas”, cinco shows de parcerias inéditas: sobem ao palco Pinduca e Manoel Cordeiro, Toni Soares e Ana Clara, Félix Robatto e Mestre Solano, Felipe Cordeiro e Luê e Strobo e Jaloo.

O que se convencionou chamar de “pop paraense” passa pela quantidade enorme de estilos musicais e a quase onipresença das misturas com ritmos locais. Algo que tem se mostrado atraente a um público cada vez mais amplo e espalhado pelo Brasil, fazendo, inclusive, que músicos como Aíla, Felipe Cordeiro, Jaloo, entre outros, se mudassem de vez para São Paulo, sem falar na constância de shows em outros centros de gente como Manoel Cordeiro e bandas como Strobo e Molho Negro.


Os cinco shows da noite de amanhã, na Fundição Progresso, no bairro da Lapa, terão uma marca do Se Rasgum, misturas sonoras de encontros inéditos e parcerias que já existem dentro e fora de estúdio. “A gente pensou em uma unidade, algo que representasse a música paraense em sua forma mais diversificada, que a curadoria do festival escolheu quem estaria no Rio”, explicou o diretor artístico da Se Rasgum Produções, Marcelo Damaso. Ele ressalta que a mescla de novos nomes com outros já consagrados também foi uma opção do festival. “Fomos do pop ao eletrônico, do carimbó à guitarrada, por exemplo. E tentando fazer esse encontro de gerações, com nomes novos e mais antigos”.

Jaloo também marca presença no evento. (Foto: Junior Franch)

Mesmo para quem já se apresentou na capital fluminense, a oportunidade é vista com empolgação, caso do cantor e DJ Jaloo. “Acho que o Rio tem um dos públicos mais calorosos do Brasil. Eu e o Strobo estamos numa sintonia muito bonita, a gente tem uma vibe de som parecida e as coisas estão casando muito bem”, completa.

“Estou entusiasmado com essas idas mais frequentes ao Rio de Janeiro. É uma cidade solar, relaxada, criativa. Muitos pontos em comum com Belém. Cada vez faço mais amigos, mais parceiros de música e um público mais consistente”, diz Felipe Cordeiro.

NOITE COM MOLHO

Antes da “caravana paraense” aportar na “Cidade Maravilhosa”, será a vez de outra apresentação de um festival durante o evento olímpico. No mesmo palco dos shows da Se Rasgum, hoje será a vez do festival gaúcho Morrostock. Dentre as cinco atrações, a banda paraense Molho Negro.

Curiosamente, o MN é dos atristas locais o único que não flerta com ritmos regionais. Segundo o guitarrista e vocalista João Lemos, algo que era sempre perguntado a eles e, aos poucos, foi diminuindo. “Isso rolou muito no início. Acho que hoje, aos poucos, as pessoas estão menos afoitas com essa chancela de regionalidade, relaxaram um pouco. Mas, ainda acontece, sim. É muito comum a citação da Gaby (Amarantos) ou da banda Calypso, que ainda é uma referência”, relata.

Curiosamente, no álbum de estreia da banda, em 2012, uma das músicas que mais se destacou foi justamente “Aparelhagem de Apartamento”, cuja letra brinca com a ausência de mistura de ritmos, ao mesmo tempo em que há o gosto pelo regional. “É uma das músicas que explicitamente tiram onda com essa relação, consegue abordar esse contexto sem tentar ser regional no som ou na estética, sem tentar vestir a roupa que o resto do país acharia legal você vestir”, diz João.

(Diário do Pará)

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