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Longa-metragem aborda a regionalidade do carimbó

Sexta-Feira, 04/07/2014, 11:02:08 - Atualizado em 04/07/2014, 11:03:45 Ver comentário(s) A- A+

Longa-metragem aborda a regionalidade do carimbó (Foto: Divulgação)
Casal de protagonista vive história no ritmo do carimbó (Foto: Divulgação)

Em uma festa, uma jovem apaixonada pelo carimbó conhece um caboclo que acaba de chegar da capital e é amor à primeira vista. Essa é a premissa de “O Caboclo Carimbó”, primeiro longa-metragem dirigido por Fernando Rassy, que estreia hoje, às 19h, no Cine Estação das Docas e será exibido em outros cinco municípios paraenses. A previsão é de que o filme chegue, ainda este ano, a Alemanha, Espanha e Portugal.

Conhecido por sua atuação no cenário teatral paraense, Rassy celebra a conclusão do filme, que foi produzido pela Federação de Artes Cênicas Estadual (Faces). “O carimbó está em alta e queríamos trazer para as telas de cinema as festas de carimbó antigas, que hoje se transformaram em festas do açaí, do camarão, festas municipais que misturam outras coisas. ‘O Caboclo…’ mostra os preparativos de uma festa tradicional de carimbó, tanto do ponto de vista de seus organizadores como dos moradores da região, que aguardam ansiosamente por ela”, explica o diretor.

Segundo Rassy, é o primeiro longa-metragem que aborda esse tema. A ideia de “O Caboclo Carimbó” surgiu porque o diretor estava em cena com um texto que tratava desse universo. “Estou há quatro anos com a peça ‘Pescador de Lembrança’, sobre Mestre Lucindo, e me sinto feliz com isso, pois o carimbó é algo nosso, é bonito. Durante a pesquisa já para o filme, comecei a ver também como era antigamente. Parecia muito mais prazeroso, você se preparava, reunia os amigos, ia a família toda para o carimbó”, rememora.

E é exatamente nessa reminiscência o gancho para o filme, que começa com os antigos dançando carimbó e lembrando da época em que eram jovens. “Em suas memórias, a juventude está nas praças e casas de amigos, escolhendo a roupa para ir ao carimbó, meninas comprando briga porque alguém está ‘dando em cima’ do namorado (risos)”, diz Rassy.
“Queremos mostrar o lado da dança, mas também a sexualidade que é despertada nos jovens, suas intenções, e sobretudo, o prazer - com ou sem responsabilidade. É um filme de ficção, mas também é uma história real, que se repete pelas cidades do interior paraense”, completa o diretor.

Num filme sobre o carimbó, claro, a música de raízes regionais ganha destaque, e a película acaba se tornando uma homenagem aos grandes mestres do estilo, e a caráter: a trilha sonora foi toda executada e gravada ao vivo, utilizando apenas a flauta, o curimbó e, em alguns momentos, o banjo, como nas antigas rodas de carimbó. “Optamos por não construir nenhuma música nova e sim por utilizar as músicas mais conhecidas de mestres como Lucindo, Verequete, Ruizinho (de Bujaru), Cuíra (de Sebastião da Boa Vista), e o rei do carimbó, Pinduca”, adianta Rassy.

Mas não foi simples finalizar a história de “O Caboclo Carimbó”. O filme levou dois anos para ser produzido, filmado e editado, num trabalho definido a muitas mãos. “Desde o início, decidimos que a equipe toda seria paraense, e com pessoas que estão há muito tempo no mercado audiovisual. Nós trabalhamos o tempo todo em equipe, com discussões envolvendo todos os diretores (Diego Feitosa fez a direção de fotografia e Eliezer Nascimento, a edição). Acredito que assim cortamos toda a possibilidade de amadorismo”, avalia.
Quanto à estreia na direção do cinema, Fernando Rassy diz que queria chegar às telas grandes, um formato diferenciado do teatro, mas não com um curta-metragem.

“Queria fazer algo mais ligado ao grande público, lidar com o cinema comercial. A magia do cinema me encanta. O teatro tem a coisa de se aprontar todo dia, e assim todo dia é uma estreia. Já o cinema é um tiro só, gravou está gravado. E isso é também parte da magia, você tem que possuir essa certeza do que quer. A tela é uma coisa eterna. Daqui a dez ou vinte anos, o que fiz ainda estará lá, intacto”, projeta.

(Diário do Pará)

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