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Ingmar Bergman é lembrado durante todo o mês por Associação Paraense de Críticos de Cinema

Segunda-Feira, 08/01/2018, 09:00:43 - Atualizado em 08/01/2018, 09:00:43 Ver comentário(s) A- A+

Ingmar Bergman é lembrado durante todo o mês por Associação Paraense de Críticos de Cinema (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Em 2018 são comemorados os 100 anos de nascimento do cineasta sueco Ingmar Bergman e, para celebrar a data, a Associação Paraense de Críticos de Cinema (ACCPA) dedica toda sua programação deste mês a este gênio do cinema. A programação exibe hoje, às 19h, “O Rosto”, de 1958, no Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes). Entrada franca, com debate ao final da projeção.

O crítico de cinema Pedro Veriano explica que o sueco Ingmar Bergman (1918-2007) dirigiu 70 filmes e escreveu 73 em uma carreira que começou em 1946 com “Crise” (Kris). Antes havia escrito o roteiro de “Tortura do Desejo” (Hets), de quem ele dizia ser seu professor na arte de dirigir cinema, Alf Sjoberg (1903-1980). 

“No auge de sua carreira era tido como o autor de filmes introspectivos, o ‘analista da câmera’. E ele não se dizia isso. Sua vasta filmoteca na ilha de Faro, onde morava, tinha muito do cinema comercial comum. Mas na história da cinematografia, Bergman deixou até mesmo um adjetivo: ‘bergmano’, ou filme introspectivo, dedicado quase sempre à analise de personagens”, diz Veriano.

Essa forma “bergmana” de fazer cinema, segundo Veriano, foi invocada por muitos diretores europeus. Cita como exemplo o italiano Michelangelo Antonioni, revelado especialmente na trilogia conhecida como “da incomunicabilidade”, reunindo as obras “A Aventura”, “A Noite” e “Eclipse”. “Em filmes como ‘O Silêncio’, ‘Persona’ (no Brasil estupidamente chamado de ‘Quando Duas Mulheres Pecam’), ‘Gritos e Sussurros’, ‘A Hora do Lobo’, ‘Vergonha’, ‘Sonata de Outono’ e outras, o cineasta sueco pretendeu vislumbrar o íntimo de suas personagens, especialmente femininas. Este tipo de ensaio já se fazia ver, modestamente, em obras anteriores como ‘No Limiar da Vida’ e ‘Morangos Silvestres’. Mas o que marcou a obra de Bergman foi mesmo a introspecção de seus tipos. E geralmente usava atrizes que bem conhecia, uma delas chegando a dirigir obras densas como Liv Ullman, e atores de sua confiança (e amizade) como Max Von Sidow e Gunnar Bjornstrand”, cita. 

Na biografia de Bergman além do cinema há teatro e televisão. Segundo Veriano, seus últimos trabalhos foram para a TV, mas antes de se dedicar inteiramente a isso assinou sua autobiografia chamada “Fanny & Alexander”(1962). “Lá evocou a infância e a prepotência paterna através da figura de um pastor despótico. Morando em Faro, quando deixou de fazer cinema sempre via cinema. Idolatrado por diretores como Woody Allen contou em sua autobiografia que lhe marcou o primeiro filme que viu, ‘Branca de Neve e os 7 Anões’. O mesmo acontecido com Allen. A diferença é que Bergman teve medo de certas cenas do desenho Disney (e Allen disse que depois da sessão descobriu que cinema era a sua segunda casa)”, diz Veriano.

(Diário do Pará)







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