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GERSON NOGUEIRA

Copa do Brasil é tema da coluna do Gerson Nogueira

Quinta-Feira, 14/02/2019, 10:26:01 - Atualizado em 14/02/2019, 10:26:01 Ver comentário(s)

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Copa do Brasil é tema da coluna do Gerson Nogueira (Foto: )

Tubarão avança e Leão desce a serra 

Estreante na competição, o Bragantino foi a honrosa exceção da rodada da Copa do Brasil que envolveu ontem três representantes paraenses. O time treinado por Agnaldo de Jesus derrotou o ASA de Arapiraca, em Bragança, por 1 a 0, cumprindo com extrema correção seu papel de mandante.

A vitória histórica antecipou o Carnaval na Zona Bragantina ao cabo de um jogo duríssimo, no qual o Tubarão precisou ter paciência para esperar a hora certa para estabelecer vantagem contra um adversário que, previsivelmente, veio armado a segurar o empate que lhe favorecia.

O belo gol de Rafinha fez explodir a torcida no estádio Diogão e deu frente ao Bragantino para inverter as coisas e passar a controlar o jogo. Pelo relato de Jorge Anderson, que narrou a partida na Rádio Clube, as dificuldades de articulação no meio-campo foram superadas pelo esforço de marcação comandado por Ricardo Capanema à frente dos zagueiros.

Se o Bragantino fez sua parte, passando à próxima fase – terá o Aparecidense como adversário, em Bragança –, Remo e São Raimundo decepcionaram no desdobramento noturno da rodada. O alvinegro santareno, que faz péssima campanha no Parazão, não resistiu ao Criciúma, que marcou 2 a 0 e venceu sem grande esforço.

Na cidade de Serra, região metropolitana de Vitória, capital capixaba, o Remo cumpriu um primeiro tempo bem ao gosto do técnico João Neto, marcando atrás e permitindo espaço ao adversário.

A estratégia dá certo em muitas ocasiões, mas pode se revelar traiçoeira quando o time é montado com características excessivamente defensivas. Foi o que ocorreu ontem. Com três homens incumbidos da marcação – Welton, Dedeco e Robson – o Remo criou uma linha à frente dos zagueiros, buscando controlar as tentativas do Serra.

No primeiro tempo, os 20 primeiros minutos foram de pressão do time da casa, com vários cruzamentos perigosos. Somente aos 21 minutos, com finalização de Gustavo Ramos, em jogada individual, o Remo finalmente mostrou que tinha pretensões de fazer gol. A bola resvalou na zaga e foi salva, de tapinha, pelo goleiro Walter.

O meio-campo do Remo pouco produzia, pois Etcheverría era o único encarregado da organização, mas recebia dupla marcação e poucas vezes conseguiu criar jogadas. Na frente, Mário Sérgio foi novamente uma figura nula, preso entre os zagueiros. Gustavo se movimentava, mas também sofria com o isolamento e a distância em relação à meia-cancha.

Curiosamente, o Remo contratou 21 jogadores, mas não teve até agora condições de montar um setor de meio-de-campo razoavelmente produtivo. Ontem, essa deficiência ficou novamente exposta.

Pior ainda foi o começo do segundo tempo. Robson, que já tinha cartão amarelo, cometeu outra falta violenta e foi expulso, logo a um minuto de partida. O prejuízo numérico afetou a configuração defensiva, que passou a ter apenas Welton e Dedeco no combate, e enfraqueceu ainda mais a saída de bola.

Lessinho e Rael, dois atacantes rápidos, que já tinham criado algumas dificuldades para a zaga azulina na etapa inicial, passaram a ter mais espaço para manobrar no campo de defesa do Remo.

Antes mesmo que a defesa pudesse se recompor, Rael marcou aos 4 minutos, tocando de cabeça depois de escanteio cobrado do lado direito do ataque. A partir daí, por cerca de 10 minutos, o Remo ficou inteiramente sem capacidade de reação, correndo até alguns riscos de sofrer o segundo gol.

Quando as oportunidades ficavam desenhadas, como aos 15’, o lance era desperdiçado. Gustavo cruzou e Djalma errou o cabeceio diante do gol escancarado. O Serra cedia espaços e o Remo, mesmo com um jogador a menos, lançava-se à frente, mas errava passes e comprometia a tentativa de reação.

O técnico Netão resolveu mexer no time e trocou Etcheverría por Henrique e Dedeco por Diogo Sodré, com quase nenhum resultado prático. O Remo precisava de qualidade no meio para que a bola chegasse em condições aos homens de ataque.

Mário Sérgio, titular absoluto na equipe azulina, até hoje não mostrou qualidades para se consolidar como atacante de área. Atrapalha-se com a marcação e é facilmente anulado. Gustavo era muito mais produtivo, mas acabou sacado para que David Batista entrasse no ataque.

O jogo aéreo passou a ser a prioridade, mas, estranhamente, poucas vezes o Remo conseguiu executar cruzamentos com bom aproveitamento. A melhor chance para empatar veio aos 41’, após falta sofrida por Henrique. Diogo Sodré se apresentou para bater e isolou a bola.

Em lance confuso, logo a seguir, Henrique recebeu livre na área, mas a jogada foi paralisada com marcação de impedimento. Não havia muito mais a fazer e o Serra festejou a vaga na segunda fase da Copa do Brasil, condição que o futebol capixaba não obtinha há 25 anos.

Fiasco do S. Paulo expõe má fase do futebol brasileiro

Da mesma forma como o badalado Palmeiras de Felipão se deu mal diante de um apenas esforçado Boca Juniors no ano passado, a Libertadores revela outra vez as sérias mazelas do futebol brasileiro. Na chamada fase de grupos, o milionário São Paulo não conseguiu superar o modesto Talleres, de Córdoba, clube de segunda linha na Argentina.

Seja por arrogância, esnobismo ou mania de grandeza, o Brasil vai tropeçando em competições continentais e não consegue aprender com seus próprios erros.





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