Colunistas / Gerson Nogueira

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Um tropeço perigoso

Segunda-Feira, 21/09/2015, 09:01:42 - Atualizado em 21/09/2015, 09:01:42 Ver comentário(s) A- A+

Um tropeço perigoso (Foto: Mário Quadros)
(Foto: Mário Quadros)

Foi apenas a segunda derrota do Papão em casa nesta Série B, mas o resultado desencadeou muitas preocupações. Reação natural, afinal o time vinha cumprindo uma trajetória empolgante e invicta no returno, com seis vitórias e dois empates. A evolução fez com que a possibilidade do acesso se tornasse concreta, gerando mais expectativas sobre o time.

Contra o Náutico no sábado à tarde, porém, a atuação foi frustrante. Mereceu apupos e rendeu vaias até ao técnico Dado Cavalcanti. No final, por respeito à campanha e não por aprovação ao desempenho na partida, o torcedor aplaudiu a saída dos jogadores. Gesto bonito, que confirma que Dado e o grupo têm crédito junto à torcida. 

O problema é saber que perfil o time terá nas próximas 11 decisivas rodadas. Não pode ser o que se viu no sábado – descaracterizado, lento em excesso e pouco concentrado nos objetivos. Até a habitual fibra ficou de lado em muitos momentos, só reaparecendo na reta final da partida.

Dado armou a equipe com Betinho e Léo na frente, Carlos Alberto na criação e Jonathan, Fahel e Gilson como volantes. Repetiu jogadores do confronto com o vice-lanterna ABC no meio da semana, quando o Papão ganhou na base da valentia, mas dando brechas ao limitado adversário.

Logo aos 3 minutos, Betinho perdeu a grande chance do Papão no jogo. Recebeu cruzamento de Gilson e, diante do goleiro Júlio César, soltou uma bomba. A bola bateu no goleiro e foi a escanteio. Um gol ali teria mudado o rumo das coisas, obrigando o Náutico a sair da zona de conforto.

Os primeiros movimentos confirmaram o grau de dificuldades que o Papão teria pela proa. Como Carlos Alberto nada produzia, Léo recuou para ajudar, mas pouco acrescentava. Jonathan se adiantava, abrindo espaços na marcação e forçando Fahel a se manter preso lá atrás.

O Náutico posicionava seus três volantes – Felipe Souto, Marino e Jackson Calcaia – em cima de Carlos Alberto e Léo, atrapalhando a saída do Papão. Ao invés de buscar a opção pelos lados, explorando a velocidade de Pikachu, Carlos Alberto insistia apenas pela esquerda, com João Lucas. O lateral até avançava, mas nas suas costas o Náutico posicionava Guilherme Biteco em contragolpes perigosos.

Com a batalha duríssima pela bola no meio-de-campo, com quase dez jogadores transitando por ali, as oportunidades de escape eram raras. Quando surgiam, o Náutico aproveitava melhor, usando uma das grandes características do próprio Papão nesta Série B: a objetividade.

Econômico nos passes, o time pernambucano avançava com rapidez, com Biteco, Douglas e Bruno Alves sobre o setor defensivo do Papão, tendo ainda o auxílio do lateral Gastón Filgueira. Ganhava confiança e induzia os bicolores a seguidos erros de passe, principalmente Carlos Alberto e Léo, que irritavam o torcedor.

O Papão ainda teria três outras oportunidades no primeiro tempo. Aos 20, em disparo cruzado de João Lucas que o goleiro desviou; aos 32, com Betinho, que dominou entre os zagueiros e mandou uma bomba ao lado do poste direito; e aos 35, com Jonathan chutando forte e obrigando o goleiro a uma defesa arrojada.

Para a etapa final, imaginava-se que Dado iria mexer na equipe. Ledo engano. Carlos Alberto ainda voltou a campo, errou mais duas jogadas, levou cartão amarelo e só então foi trocado por Rony, aos 9 minutos. O Papão já havia escapado de levar o gol aos 2 minutos, quando Bruno Alves furou espetacularmente na pequena área, sozinho diante de Emerson.

O Náutico avançou sua marcação até a intermediária do Papão, passando a roubar seguidas bolas. Aos 10 minutos, Douglas foi lançado em velocidade, driblou Tiago Martins e bateu na saída de Emerson. A bola saiu à direita da trave do Papão. O gol pernambucano estava amadurecendo.

João Lucas, em grande arrancada, mandou rasteiro, mas o goleiro abafou o chute. Aos 20 minutos, Gastón cruzou e Pikachu desviou de cabeça na pequena área, impedindo o gol de Bergson (que havia substituído a Douglas). Na sequência, veio o escanteio e o gol de Rafael Pereira. A bola cabeceada por Marino ainda resvalou em seu braço antes de bater  na trave.

Aí o Náutico recuou e o Papão foi todo à frente. Edinho substituiu a Jonathan e imprimiu mais velocidade ao time. Criou dois bons ataques, mas não tinha a ajuda dos demais. Aylon custou a entrar e ainda colaborou no esforço desesperado pelo gol, mas já era muito tarde. Já nos acréscimos, Rony fez corta-luz na frente do goleiro, invalidando a jogada do empate.

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